A light to burn all the empires, so bright the sun is ashamed to rise and be.

ok. daí eu curto os vídeos da michelle phan, curto as dicas que ela dá, curto ela, de verdade. ela se ergueu com originalidade num segmento que podia ser bem chato e ela ser bem igual a todas as outras.
aí de repente ela começou a fazer filmes. curtas, na verdade. e eu curti. gostei do trabalho, da foto, da filmagem em si, me agrada bastante. e então veio o último curta dela. Rouge in Love. se passa em paris.
eu assisti. eu gosto de uma característica minha que é ter a mente aberta pra muita coisa, geralmente quando me apresentam algo novo eu vou, sem pré conceitos ou opiniões de terceiros impregnadas no meu cérebro e aprecio aquilo como se eu fosse a primeira a saber, do mundo inteiro. e outra característica que eu gosto em mim também é que eu sei ser sincera. sei expor minha sinceridade sem agredir, no ponto certo e fazendo uma crítica construtiva. mas é óbvio, eu não sou perfeita, não me venha falar que eu tô me achando. claro que, sendo humana, tenho meus momentos de sinceridade agressiva, querendo destruir o outro e fazendo críticas negativas. mas não foi esse o caso.
o caso é que o filme é uma história de amor, em paris. a turista tá passeando, quando de repente um maluco, que saiu correndo sabe-se lá por que, esbarra nela n meio da rua e cai. ela ajuda ele a levantar, e vê que ele tá bem abalado. a cena é meio atrapalhada, mas ela o leva pra comer.
sentados na mesa de um café, ela pede comida e água. vendo por ele, ele tá todo vesgo, meio tonto, não consegue fazer o cérebro parar de girar, como se tivesse bêbado, e ela tentando fazer ele comer e tomar a água. de repente ele acorda e tá sozinho na mesa, e encontra apenas um guardanapo com uma marquinha de batom.
depois, dá de ver que ele é provavelmente uma celebridade - apesar de não ter ficado claro isso - e ele dá uma entrevista na tv sobre o guardanapo, bem estilo aquelas !se foi você que limpou a boca neste guardanapo, me contate, quero falar com você”. em seguida, aparece ele sentado numa mesinha e uma fila de mulheres com um guardanapo beijado na mão, querendo se passar pela menina, uma coisa meio cinderela de papel.
aí mostra a turista passeando de vespa pela cidade, vai até a torre eiffel e entra no café. se arrumando já pra sair, ela passa um batom básico, tira o excesso no guardanapo e sai, justamente na hora em que o maluco entra. ele para no balcão e vê o guardanapo beijado, pergunta onde a mulher do guardanapo tá, e o garçon sinaliza que ela acabou de sair.
o maluco vai correndo atrás dela, encontra a mulher e, depois de ameaçadoramente chegar perto dela - inclusive ela faz uma cara de cachorro pidão com medo - ele a abraça e tudo termina bem.
michelle phan, a atriz em questão, colocou o vídeo no blog e pediu pra gente deixar comentários com o que a gente achou do vídeo, e foi exatamente isso que eu fiz.
comentei que a fotografia do filme tá linda. mas que algumas coisas me chamaram a atenção:
- por que o cara tava correndo no começo?
- por que ela simplesmente sumiu e deixou o cara apagado na mesa do café, depois de ter ajudado ele? se alguém supostamente todo tonto esbarra em você, cai no chão e você ajuda a pessoa, dá água e comida, vai deixar a pessoa largada lá? não né.
- por que ele tava tonto?
- e por que o último guardanapo que ela usa pra tirar o excesso de batom mostra um batom vermelho se ela tinha acabado de passar um batom nude?
aí, vem gente e fala que “tem gente sendo dura demais. que é pra usar a imaginação. que tem muito escritor que faz isso, coloca situações não explicadas pra gente imaginar.”. essa mesma pessoa disse que achou que o cara tava bêbado, no começo, o que explicou porque ele tava andando torto e tinha a visão turva. mas que podia ser outra coisa, como uma condição médica, quem sabe?
olha, pra uma história de amor em paris, eu que nunca ia querer topar com o amor da minha vida e ter um amor à primeira vista com um bêbado. e se fosse condição médica, o cara ia ter no mínimo dito, e certamente ela não ia sair de fininho. e mesmo que fosse bêbado, se tu tá ajudando, não vai esperar a pessoa apagar e desmaiar e ir embora, né? sei lá, gente, compaixão, um pouco de humanidade no coração.
e por mais romântico que pareça, como na cinderela, pros dias de hoje um cara - especialmente um cara - não ia atrás de uma mulher com um guardanapo que ela deixou, sujo, na mesa. é lindo, é romântico, é conto de fadas, eu sei, mas por que não colocar a tecnologia nisso tudo?
enfim, o cara ter ido atrás da mulher munido apenas de guardanapo foi o de menos pra mim. o esquisito mesmo foi o começo, do cara maluco correndo dando uma trombada dela, todo tonto e ela fugindo dele, e depois a descoordenação dela passando um batom clarinho e o guardanapo que o cara encontra no café, no final, era de batom vermelho.
não adianta apenas gostar da pessoa e achar que tudo o que ela faz é lindo. cadê senso crítico?